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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A Liga Eleitoral Católica ontem e a Igreja nos dias de hoje




A Liga Eleitoral Católica ontem e a Igreja nos dias de hoje
03/08/2014 13:11:36 por Eugênio Nascimento em Colunas
José Lima Santana - É ´professor de Direito na UFS

Na década de 1920, no Rio de Janeiro, o influente filósofo católico sergipano Jackson de Figueiredo intuiu a ideia da criação de um partido político católico. A essa ideia haveria de opor-se o futuro cardeal daquela cidade, D. Sebastião Leme. A influência da Igreja deveria ocorrer, na opinião dos bispos, pela formação de líderes comprometidos com o ideário católico, que ocupassem funções públicas. Em 1932, após os ecos da Revolta Constitucionalista Paulista, o presidente Getúlio Vargas promulgou o novo Código Eleitoral, que previa o voto secreto, a criação da Justiça Eleitoral, o fim do voto distrital e o voto feminino, este com o decisivo apoio da Igreja. O clero compreendia que as mulheres eram mais próximas da influência da Igreja e mais dispostas a votar em candidatos com ela identificados. Ainda em 1932, Vargas convocou eleições para a Assembleia Constituinte. Sob a liderança de D. Leme, em outubro daquele ano foi criada a Liga Eleitoral Católica (LEC), que elaborou uma plataforma mínima de princípios a serem apresentados aos candidatos que pretendessem o apoio da Igreja. Apenas a partir do comprometimento com tais princípios, haveria a recomendação de voto aos fiéis. A Liga tinha um caráter extrapartidário apresentando aos candidatos de diversos partidos um compromisso por escrito a ser executado caso fossem eleitos. Em alguns casos, a LEC apresentava candidatos próprios. Para a Constituinte Nacional de 1934 alguns católicos foram eleitos em vários estados, inclusive clérigos. Em Sergipe, para a Constituinte Estadual de 1935 foi eleito um sacerdote: o Cônego Miguel Monteiro Barbosa. Do mesmo modo como na Constituinte de 1892 fora eleito o Mons. Olímpio Campos, e na de 1947 seria eleito o Cônego Edgar Brito. E como todos sabem, o Mons. Olímpio Campos foi um dos políticos mais influentes de Sergipe entre o fim da Monarquia e o início da República, chegando a ser deputado federal, senador e presidente (governador) do estado. A LEC em Sergipe foi, por certo tempo, coordenada pelo então Pe. Avelar Brandão Vilela, que se tornaria Cardeal Arcebispo-Primaz do Brasil.
Até o final da década de 1950, a LEC atuou em todo o Brasil, orientando e incentivando a participação na vida política-partidária. Depois, a Igreja afastou-se da orientação direta aos leigos no tocante à atividade política. Após a promulgação da Constituição atual, em 5 de outubro de 1988, denominações protestantes passaram a adotar uma posição cada vez mais forte em torno da vida política, elegendo vários dos candidatos saídos de suas fileiras, nas três esferas federadas: municipal, estadual e federal. As bancadas protestantes, por exemplo, só fazem crescer. E a bancada católica? Existe?
Alguns clérigos e leigos engajados entendem que chegou a hora da virada. É preciso, segundo o entendimento destes, que a Igreja Católica repense o seu modo de agir na ação política. Como Mãe e Mestra (Mater et Magistra), ela teria o direito e o dever de colocar-se como guia do seu numeroso rebanho, não apenas em termos espirituais, mas também nas questões temporais (morais e políticas). A Igreja, dizem, não deve se omitir. Afinal, Jesus Cristo jamais se omitiu. E o povo de Deus deve compreender a ação da sua Igreja, a ela aderindo em favor da ética na vida pública. Como? Discutindo, conhecendo melhor candidatos e propostas. Escolhendo os melhores, os comprometidos com os princípios cristãos. Enfim, dizendo “SIM” aos bons políticos, e dizendo “NÃO” aos maus políticos.
Os maus políticos não teriam parte com Deus, enquanto no mal persistissem. É como pensam certos segmentos da Igreja. Os corruptos não seriam de Deus. Os que tiram os recursos do povo, por vias diretas ou indiretas, não atenderiam aos preceitos cristãos. Os que realizam projetos pessoais em prejuízo dos projetos que visam à satisfação das necessidades públicas e coletivas, não seriam dignos de merecer o respeito nem o voto consciente do povo de Deus. A Igreja está começando a ficar atenta a tudo isso. Ela tem o direito e o dever de orientar os fiéis. De ensinar-lhes a bem escolher candidatos a cargos públicos que saibam seguir o Caminho da retidão. Que tenham compromisso com a Verdade. Que possam, nas funções legislativas ou administrativas, tudo fazer em defesa da Vida, em todos os seus aspectos. No seio da Igreja já tem muitos que estão pensando assim.
Na carta encíclica Rerum Novarum, Leão XIII, falando sobre a autoridade, diz que “aqueles que são os depositários dela devem exercê-la à imitação de Deus”. Ora, Deus é solícito para com o conjunto dos seus filhos, sobre eles derramando a sua graça. Assim também, os políticos devem ser solícitos para com o bem comum, para construir políticas públicas factíveis em favor de todos, indistintamente. É nesse sentido que João XXIII, recentemente canonizado, na carta encíclica Pacem in Terris, complementa a exortação de Leão XIII: “A sociedade humana não estará bem constituída nem será fecunda a não ser que lhe presida uma autoridade legítima que salvaguarde as instituições e dedique o necessário trabalho e esforço ao bem comum”.
Alguns católicos não bem esclarecidos, ou outros indivíduos, não católicos, podem dizer, e se o dizem fazem-no erradamente, que a Igreja não deveria se meter em questões políticas. Estes precisam saber que “o intento da doutrina social da Igreja é de ordem religiosa e moral”, como afirmou Pio XI, na carta encíclica Quadragesimo Anno. A esse respeito, o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, do Pontifício Conselho “Justiça e Paz”, citando Paulo VI e João Paulo II diz: “Religiosa porque a missão evangelizadora e salvífica da Igreja abraça o homem ‘na plena verdade da sua existência, do seu ser pessoal e, ao mesmo tempo, do seu ser comunitário e social’. Moral porque a Igreja visa a um ‘humanismo total’, vale dizer à ‘libertação de tudo aquilo que oprime o homem’ e ao ‘desenvolvimento integral do homem todo e de todos os homens’”.
Diante de tudo isso, lutar para que os políticos pautem as suas ações na ética e nos valores cristãos é também uma questão de fé. E a fé cristã exige o exercício do voto consciente. Do voto que não se vende e que não se compra. O cristão católico é livre para votar tendo em vista o bem de todos, não se deixando iludir e não se entregando à apatia. É hora de agir, como defendem muitos clérigos e leigos.
Houve um tempo em que a Igreja, ou parte dela, atrelou-se aos donos do poder. Até nas ditaduras. Outra parte lutou contra o autoritarismo vergonhoso. Conservadores e progressistas formaram fileiras num ou noutro lado. O clero se dividiu. Andou às turras. No Brasil e noutros países foi assim. Agora, a Igreja, considerada como tal o conjunto do “povo de Deus”, hierarquia e laicato, volta-se para clarear certas coisas. Nos dias 8 e 9 de agosto, por exemplo, será realizado o II Seminário de Fé e Política Dom Hélder Câmara, promovido pelo CONAL (Conselho Nacional de Leigos) da Arquidiocese de Aracaju com o apoio da OAB e da UFS, além de outras entidades públicas e privadas. No auditório da OAB, Travessa Martinho Garcez, entre a Praça Camerino e a Av. Ivo do Prado. Inscrições na Arquidiocese, Rádio Cultura, Livrarias Paulus e Paulinas etc.
Fé e política têm tudo a ver quando o objetivo é o bem comum.

(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 03 e 04 de agosto de 2014. Publicação neste site autorizada pelo autor.

Fonte: http://www.primeiramao.blog.br/post.aspx?id=7874&t=a-liga-eleitoral-catolica-ontem-e-a-igreja-nos-dias-de-hoje 

Vejam aqui alguns Livros GRÁTIS sobre a Liga Eleitoral Católica:

http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/historia/article/view/26544/17692

http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pdf/st11/Primolan,%20Emilio%20Donizete.pdf

Vejam aqui uma Comunidade no Facebook, intitulada: Liga Eleitoral Católica:

https://www.facebook.com/LigaEleitoralCatolicaBrasil?fref=ts

Esta página no Facebook não é oficial e não é autorizada pela CNBB, como deveria ser toda Liga Eleitoral Católica. Mas ela é o melhor que nós temos, feita por leigos católicos bem intencionados e que fazem, na medida do possivel, a seleção dos candidatos e dos politicos que votam a favor ou contra a Igreja Católica.

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