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Feminismo Diabolico

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Como o feminismo levou uma lésbica ao desespero


Como o feminismo levou uma lésbica ao desespero



Testemunho da editora deste perfil do tumblr, tal como visto neste blogue.

A maior parte de vocês viu os meus posts relativos à forma como eu me recuso a continuar a ser identificada como feminista e como eu desisti desse movimento. A homofobia descontrolada, a transfobia e a misandria foram acomulando e a gota de água finalmente chegou. Mas a maior parte de vocês não sabe que eu já me encontrava num ponto de rotura muito antes de eu começar a postar aqui tópicos relativos aos direitos dos homens. Como tal, eu vou vos contar a história.
Há muito tempo atrás, eu era uma "dessas feministas", postando em sites feministas e verificando ansiosamente e diariamente sites como o feministing. Eu não sabia que o sexismo contra os homens existia. Eu pensava que qualquer alegação de misandria era mentira, que qualquer alegação de que as feministas odiavam os homens era só uma manobra de diversão por parte de misóginos, construída com o propósito levar todos a odiar o feminismo.
Durante esse período, eu ria-me da ideia de homens enfrentarem o sexismo. A minha mãe dizia-me "mas os homens também enfrentam situações complicadas" e eu, que havia sido "alimentada" com a ideia de que os homens haviam oprimido as mulheres durante séculos (causando a que eu estivesse zangada com isso) ria-me enquanto respondia, "não, eles não enfrentam, mas se enfrentam, eles merecem-no."
Avançando rapidamente alguns anos, e eu amoleci um bocado. Eu não sei o que aconteceu, mas comecei a aperceber-me que, sim, os homens também têm questões difíceis para enfrentar. Devido a isso, e sem saber em que ninho de vespas eu me estava a meter, fiz um post num outro site onde dizia, essencialmente, que os homens também têm uma vida complicada, especialmente no que toca o assunto da violação.
Quando eu fiz esse post, as portas do inferno abriram-se.
Comecei a receber comentários cruéis de pessoas que me chamavam de "pessoa horrível". Houve pessoas que me mandaram mensagens privadas horríveis dizendo o quanto que eu era uma misógina terrível, e assim por diante. As coisas chegaram a um ponto que eu não conseguia abrir a minha conta de email sem sofrer um ataque de pânico. Foi a ESTE estado que as coisas chegaram.

Elas comentavam anonimamente e sempre que eu aparecia para me defender, elas acusavam-me de gerar problemas (apesar de eu não ter feito o post original). Elas disseram-me que eu merecia os problemas mentais que eu tinha na altura, mas depois negaram alguma vez terem dito isto, chamando-me de mentirosa. Acusaram-me de fingir a minha condição médica para obter simpatia, e depois, quando eu postei as fotos dos meus medicamentos, elas disseram-me, "Pára de roubar os medicamentos da tua avó", e começaram a fazer piadas em torno da forma como eu havia morto a minha falecida avó. A piada? Uma delas disse-me que eu deveria engolir todos os meus medicamentos duma vez, e outras duas comentadoras meteram-se na conversa, concordando que o mundo seria um lugar melhor se eu me matasse. E depois acusaram-se de eu inventar os comentários como forma de obter simpatia.
Quando eu mencionei as experiências dos meus irmãos numa discussão, elas acusaram-me de ser uma pessoa horrivel "por os usar", e eles sentiram pena pelo facto dos meus irmãos me terem como irmã. Disseram-me que eu não tinha alma, que eu era maligna - e todas as variações possíveis deste tema. (Quando eu mostrei o comentário à minha irmã, ela riu-se e disse que o que eu tinha feito nada tinha de "uso".)
Eu estava uma lástima. A ansiedade piorou e comecei a fazer coisas realmente muito pouco saudáveis como forma de suportar as coisas. (Não vou entrar em detalhas mas posso dizer que envolvia magoar-me a mim própria.) Eventualmente comecei a ter pensamentos suicidas - embora isso estivesse mais relacionado a outros assuntos, mas o que eu estava a enfrentar foi a gota de água. Eu mal conseguia usar a internet sem entrar em pânico ou começar a chorar.
Eu ainda vou ao site em questão, mas fico longe da comunidade onde tudo aconteceu. Houve uma altura em que eu vi uma discussão semelhante à discussão onde eu me tinha metido (deste vez, duma pessoa que dizia ser pró-vida, mas que não queria o aborto criminalizado e identificava-se como feminista) e mesmo assim tive um ataque de pânico. Para ser totamente honesta, houve alturas em que eu considerei aspectos da justiça social da internet como catalisadoras. Não digo catalisadoras no sentido de "enervantes" mas sim no sentido de que "davam-me ataques de pânico terríveis e vontade de enveredar por comportamentos auto-destrutivos".
As feministas, aquelas que alegam apoiar e ajudar as mulheres, quase me levaram a mim, uma lésbica (e menor na altura) ao suicídio, e desempenharam um papel no desenvolvimento do transtorno de ansiedade que eu entretanto passei a sofrer.
Eu estava zangada e amarga. Procurei por coisas como "as feministas são sexistas" só para descobrir que outras pessoas tinham o mesmo pensamento em relação às feministas. E, por fim, encontrei uma conta do Tumblr precisamente com esse tipo de informação. Comecei a ler mais e mais, e os argumentos eram tão racionais, tão bem pensados e tão bem documentados que a minha visão alterou-se por completo.
Eu ainda estava um bocado hesitante em relação ao feminismo, mas decidi que eu poderia mesmo assim chamar-me de feminista sem, no entanto, adoptar as partes más. Mas eu vi mais e mais, e fartei-me de tudo. A gota de água ocorreu quando me apercebi do quão pouco elas se preocupavam comigo, como alguém que pertence à comunidade lgbt. Tenho que dizer isto, mas eu enfrentei muitas coisas más por ser lésbica . . . mas as feministas não se importavam com isso. Elas só se importavam com coisas que elas poderiam usar como exemplos de misoginia.
Até hoje, não houve uma única feminista que tenha se chegado perto de mim e pedido desculpas, ou mesmo que tenha acusado as pessoas que foram tão terríveis para mim. Quando algum MRA faz algo que não está de acordo com o movimento, nós "reunimos o nosso povo". . . . . Nós denunciamo-lo, acusamo-lo, dizemos para ele parar de fazer o que está a fazer e dizemos que isso não está correcto.
Eu nunca vi uma feminista a assumir as responsabilidades pelo que me fizeram em nome do seu movimento. Nem uma única vez. Tudo o que encontrei foram pessoas a afirmar que as feministas que me atacaram não eram feministas de verdade, e que eu estava enganada ou que eu era uma má pessoa (tema recorrente entre as feministas sempre que encontram algo com a qual não concordam) por não ser uma feminista.
VOCÊS feministas afastaram-me. Eu queria dar o meu apoio ao vosso movimento. Eu defendo a igualdade para as mulheres. Eu sei que as mulheres foram desfavorecidas de muitas formas e feitios, e eu quero que isso pare, tal como quero que as coisas que os homens enfrentam também parem. Mas com o que vocês fizeram, como é que vocês honestamente esperam ter a minha confiança e esperam que eu volte a sentir-me segura no vosso movimento? De que forma é que isso é justo para mim se eu nunca recebi qualquer pedido de desculpas da vossa parte?
Eu nunca mais me sentirei segura no meio de vocês. Vocês não lutam por mim. Vocês não me estão a ajudar. VOCÊS QUASE ME MATARAM. Vocês não se podem identificar como defensoras dos direitos das mulheres ao mesmo tempo que encorajam uma adolescente que se suicide por discordar convosco - ao mesmo tempo que as restantes entre vocês observa tudo e nada fez para parar.
Eu nunca mais serei uma feminista. Eu serei uma defensora dos direitos das mulheres e dos direitos dos homens, igualitária . . . seja lá o que for que eu me sinta com vontade de me identificar. E mesmo assim, serei mais feminista, segundo a definição de feminismo, do que que vocês alguma vez foram...

Fonte: http://omarxismocultural.blogspot.pt/2013/11/como-o-feminismo-levou-uma-lesbica-ao.html

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