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Feminismo Diabolico

domingo, 15 de setembro de 2013

Os Fugitivos da Cruz

Dois feixes de luz se cruzam no espaço. Um farol ao norte, outro ao poente traçam momentaneamente uma grande cruz no espaço. É uma cruz luminosa tão grande que toca os quatro pontos do horizonte. Pára sobre nós, mas não pesa, não oprime, não faz sofrer; é uma cruz que não é cruz. Cruz não é questão de forma ou figura. Cruz é o revés, é o desgosto, é a dor física, é a humilhação, é o pesar indefinível, o enfado, a enfermidade, a privação. Pode suceder que objetivamente seja cruz para mim o que julgas para ti um prazer.
Quem contava receber 20 e só recebe 15 se sente decepcionado; quem só esperava 10 e recebe os mesmos 15 se julga favorecido. Um alimento que para uns é saboroso, para outros é repugnante. A cruz, como se vê, sobretudo depende das condições individuais de quem a leva. Daí a conveniência de bem dispor o nosso interior, de maneira a resistirmos corajosamente às provações que nos visitarem. Os pusilânimes, os que se deixam vencer pelo desalento são espíritos que não adquiriram a têmpera necessária para a luta. Acostumaram-se a fugir do sofrimento. Logo que se iniciava o combate tratavam de desertar. Nessa fuga constante, tornaram-se insofridos, incapazes de enfrentar a onda. Uma idéia menos grata se esboçava, logo a repeliam apavorados. Uma dor incipiente era logo combatida com o maior empenho. O menor desconforto era evitado. Viviam à cata de refrigérios. Os fugitivos da cruz são sempre infelizes, porque vivem sempre a fugir, já que a cruz se acha a cada passo. É como parte integrante do nosso ser, de modo que eles são fugitivos de si mesmos. A ave que, por qualquer anomalia, se apavorasse com a sua mesma cauda deveria voar sem descanso até cair extenuada.
Não cuides, portanto, com tanto empenho, de evitar as provações, pois elas são inevitáveis. Conseguirás porventura trocar uma por outra; mas a troca talvez em nada te aproveite. Não te é vedado procurar alívio na dor, nem mesmo furtar-te a algum sofrimento. Mas não te deixes dominar pelo medo, nem pela preocupação de evitar todas as cruzes. Elas são utilissimas. E muito lucrarás acostumando-te ao sofrimento. É tão próprio dos discípulos do Mestre Crucificado abraçar corajosamente a cruz! Cuida de dar à tua alma a têmpera forte dos que sabem sofrer. A paciência, a constância, a paz, a caridade fraterna e muitos outros frutos preciosos facilmente produz a alma que sabe sofrer; dificilmente os encontras na alma dos fugitivos da cruz. Conheces o temperamento comodista? Vê como ele estuda todos os meios para avaliar a sua carga, para não assumir empenhos, para se excusar de prestar serviços, para conseguir os lugares menos incômodos. Nem se lembra de que, dessa maneira, todo incômodo ficará para os outros, de que quanto tira de si acrescenta à carga dos seus semelhantes. Pode viçar nesse coração - fugitivo da cruz - a caridade fraterna? Não vês que, ocupando um lugar inferior, deixas a outros os lugares melhores? Não vês que, encarregando-te da parte mais árdua do trabalho, favoreces os que trabalham contigo? É certo, porém, que a fobia da cruz não se compadece com essas atitudes próprias das almas sacrificadas. Nem se consegue, de um momento para outro, o espírito de renúncia, de abnegação que caracteriza as almas sacrificadas. É necessário frequentar a escola da cruz e não fugir dela. Nessa escola, os discípulos praticam a doutrina do Mestre por excelência. Nada de estudos especulativos, de belas teorias que fazem da cruz uma poesia encantadora, mas... de longe. A escola que deves cursar, para não degenerares do Mestre Divino, é toda de realidades que se vivem com generosidade. É a escola de exercícios constantes, que, acostumando ao sofrimento, aumenta a capacidade de sofrer. É a escola da generosidade prática que leva o coração a provar, não com palavras, mas com fatos, sua dedicação para com Deus.
Foste até hoje talvez um fugitivo da cruz. Entra agora nessa escola e no fim do curso darás mil louvores a Deus pela renovação total da tua vida.

Texto copiado do livro: "Abraçando a Cruz" de Dom Antônio de Almeida Lustosa

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