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Feminismo Diabolico

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Estratégia de Esquerda: Anti-Religião

Estratégia de Esquerda: Anti-Religião

Sam Harris: autor neo-ateu
Quem é leitor deste blog desde os primeiros dias (agosto de 2009) sabe que nessa época eu ainda era teísta e especialmente dedicado a refutar os autores neo-ateus. Nessa época, eu também não tinha completa noção da origem deste movimento e qual a sua funcionalidade política. Eis que agora, mais de 200 livros lidos depois, e uma extensa investigação sobre o assunto, as coisas estão muito mais claras.  (O termo anti-religião aqui é usado no contexto da religião tradicional, ou seja, aquela baseada na crença em um Deus, e não na religião política, que é baseada na crença no homem, e é a própria esquerda que está sendo investigada aqui)
Anti-religião significa todo o tipo de ataque com alguns objetivos bastante claros, dentre eles: (1) Retirar a religião tradicional e seus religiosos do debate político, (2) Atacar os conservadores na política, pois dentre estes há uma grande quantidade de religiosos, (3) Aumentar a taxa de pessoas crentes no humanismo (ou qualquer outra variação do esquerdismo), já que, se a tendência do homem é a crença na autoridade, sem a religião tradicional espera-se uma maior chance de alguém crer no homem. Um outro objetivo que poderia ser visto no passado (mas não no presente) era a luta contra a monarquia, apoiada pelos Papas, na época das revoltas iluministas.
O neo-ateísmo de Richard Dawkins, Sam Harris e Daniel Dennett não é nada mais nada menos que a estratégia da anti-religião aplicada de uma forma mais visceral, utilizando-se de vários componentes do passado, mas com uma roupagem mais moderna. Por exemplo, muitos destes autores alegam sua motivação após o atentado de 11 de setembro, que eles alegam ser culpa da religião tradicional, embora possamos culpar mais ainda o humanismo por causa desse ato terrorista, já que os membros da Al Qaeda viviam em um projeto de salvação do mundo “em terra”. O livro “Al Qaeda e o Que Significa ser Moderno”, de John Gray, traz esta hipótese (da Al Qaeda estar mais próxima do humanismo do que da religião tradicional) com extrema elegância.
A Anti-Religião se baseia em uma série de iniciativas básicas, que podem ser mapeadas da seguinte maneira, em uma lista temporária, que, é claro, pode incluir mais itens de acordo com pesquisas mais profundas:
  1. Uso de falsa dicotomia entre ciência X religião, sendo os anti-religiosos propagadores da idéia de que “representam a ciência”, enquanto os religiosos representariam sua “oposição”.
  2. Uso constante de cinco rotinas em especial: (a) cético universal, (b) auto-cético, (c) cético verdadeiro, contra falsos, (d) representante da ciência, (e) dono da razão. Enquanto não estão atacando os religiosos tradicionais, os anti-religiosos se limitam a ficar repetindo estas cinco rotinas, embutidas em seus discursos.
  3. Defesa de teorias contra a religião, como a tese de que “sem religiões, não teríamos rótulos para dividir as pessoas, logo não teríamos conflitos”, como pode ser vista em livros como “Deus, um Delírio”, o mais famoso livro para aplicação desta estratégia. Mas este é apenas um exemplo.
  4. Uso de ridicularização constante da religião e dos religiosos, devido ao objetivo de retirada do religioso do debate público. Esta iniciativa será detalhada mais profundamente na análise do livro de Saul Alinsky, Rules for Radicals, que já está em curso neste blog.
  5. Criação de um sentimento de ódio profundo contra os religiosos, em moldes similares ao realizado contra os judeus na época da Alemanha Nazista.
Estas iniciativas são facilmente percebidas em uma análise de todos os livros destes autores, e consequentemente nas atuações de seus militantes nas redes sociais. A tendência é que muitos leitores destes autores saiam diretamente para a militância, pois o tom destes livros é sempre “um chamado às armas”.
Um exemplo desta estratégia pode ser visto em situações como quando uma série de jornalistas decidem dar uma ênfase maior aos casos de pedofilia ocorridos em igrejas, e retirarem a ênfase aos casos de pedofilia aplicados por qualquer outro tipo de profissional que não os padres.  Este recurso, o do agendamento na mídia, é o que pode explicar o fato de que quando em qualquer questão do debate público um padre se manifesta, surgem imediatamente nas caixas de comentários de jornais online expressões como “Quem é ele para se manifestar? Deviam primeiro parar de fazer pedofilia, que é só isso que fazem”. A popularização deste tipo de reação automática em debates públicos é um exemplo do sucesso desta estratégia.
A anti-religião pode ser definida como uma das mais completas e bem executadas estratégias da esquerda, capaz de hoje em dia transformar a maioria dos religiosos pertencentes ao debate público em pessoas que ficam na defensiva, quase sempre entrando na discussão de cabeça baixa. Não raro dizem “sou religioso, mas…”, pois já sofreram tantos ataques psicológicos que dificilmente entram assertivamente em qualquer discussão. A partir do momento em que adentram as arenas de debate, são fulminados por uma série de rotinas anti-religiosas (muitas delas encontradas em livros de Dawkins e Harris, mas também nos de Bertrand Russell, Carl Sagan, Paul Kurtz, e vários outros do passado), ficando muitas vezes zonzos com tamanha ridicularização.
Embora este blog não esteja mais focado em lutar contra o neo-ateísmo (mesmo que eu faça isso vez por outra, meu foco é na religião política como um todo), é muito interessante que existam pessoas focadas na refutação dos movimentos anti-religiosos, sejam eles vindos de neo-ateus como de grupos associados – e hoje em dia o neo-ateísmo é a manifestação mais cabal da anti-religião.
Infelizmente, devido à pouca prática de muitos conservadores em técnicas de investigação de fraudes intelectuais (uma lacuna que estou ajudando a diminuir com este blog), e especialmente de muitos religiosos tradicionais, muitos não conseguem ainda mapear as estratégias anti-religiosas no discurso público. Em muitos casos, não conseguem perceber que estão diante de fraudes intelectuais dissimuladas, o que acaba tornando-os vítimas fáceis dessa estratégia. Esta complexidade de ação, justamente com a extrema ingenuidade com que a maioria dos religiosos ainda visualizam os anti-religiosos, é um dos motivos pelos quais grupos especializados em refutá-los e denunciá-los são muito importantes, embora ainda raros.

Fonte: http://lucianoayan.com/2012/10/27/estrategia-de-esquerda-anti-religiao/

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